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segunda-feira, 27 de março de 2017

As Diferenças entre Treinamento e Educação Corporativa

Nos últimos anos muito tem se falado da Educação corporativa dentro das organizações como um meio para promover o desenvolvimento humano e, consequentemente, crescer de forma sustentável atingindo os resultados estratégicos esperados e formando vantagens competitivas. No entanto, ainda existe muita confusão na hora de diferenciar a Educação corporativa dos centros de treinamento tradicionais já usados por gestores ou em áreas de Treinamento e Desenvolvimento. Assim, esse artigo pretende esclarecer os principais pontos de diferenciação entre os dois recursos empregados em organizações de todos os portes e setores.
De forma ampla, a educação corporativa está intrinsecamente relacionada às estratégias da organização, atuando para o desenvolvimento de competências dos colaboradores, fornecedores ou clientes em um contexto no longo prazo focado em aumentar a produtividade e competitividades da organização. Por outro lado, os treinamentos procuram atender às necessidades educacionais pontuais de departamentos, colaboradores ou gestores, preocupando-se em trabalhar competências e habilidades em uma visão de curto prazo.

Além dos objetivos e propostas de trabalho educacional serem distintos entre os dois, a educação corporativa pressupõe que a aprendizagem do aluno seja integrada, ampla e ativa, ou seja, o professor ou gestor não é mais o detentor do conhecimento que irá entregar ao aluno, como estão estruturados os treinamentos, mas sim um facilitador do processo pela busca por esse conhecimento. Desta forma o profissional sente-se mais respeitado e empoderado para alcançar conhecimentos muitas vezes além daqueles exigidos em um treinamento.



Fonte: http://fappes.edu.br/blog/2016/04/01/diferencas-entre-educacao-corporativa-e-treinamento/
Acessado em 27/03/2017

domingo, 12 de março de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

8 Lições de Liderança do Papa Francisco que define uma nova Cultura para a Igreja Católica

Artigo baseado no texto original de Fátima Rodrigues, gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting. (Portugal)

Jorge Mário Bergoglio, o Papa Francisco, líder da Igreja Católica, jesuíta argentino, tem-se destacado pela sua humildade, disponibilidade e capacidade para gerir a mudança numa organização milenar, onde qualquer alteração é capaz de gerar uma onda de reações a nível mundial, interna e externamente. Por essa razão, o aprendizado de liderança com ele, pode modificar a maneira como lidamos com as pessoas na vida e no trabalho.

Com um estilo frontal, atento à gestão e à economia, vê as pessoas através de sua lente global - pessoa, família, profissional e mundo. Afirma Bergoglio: "Aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de finanças carentes de ética: assim, homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo. É a cultura do descartável."
A um líder carismático como o polaco Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, amado pelos católicos e sempre disposto a dar a cara pela missão, sucedeu o erudito Professor alemão Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, que se foi mantendo na sombra, sem que o vissem tomar o pulso à comunidade e aos desafios que se colocavam. Com a sua resignação, é nomeado o argentino Jorge Mario Bergoglio que, apesar da idade (81 anos) e problemas de saúde, veio trazer uma nova liderança carismática e assumir crenças e convicções por vezes consideradas quase esquecidas, mas muito necessárias e basilares na comunidade que lidera. Fátima refere-se a crenças e convicções esquecidas, por exemplo, o voto de pobreza, comum em quase todas as ordens religiosas e um dos princípios veiculados por Cristo, que todos apregoavam, mas poucos praticavam declaradamente e davam o exemplo.

Ray Hennesey, diretor editorial do Entrepreneur, refere-se ao período em que Bergoglio assumiu a liderança da Igreja Católica, como marcado pela “humildade, tomada de riscos e um profundo questionar do papel da Igreja Católica no mundo” e muito “popular entre os católicos, assim como entre os membros das outras igrejas”.

Muitas são as atitudes e lições de liderança que poderemos retirar do Papa Francisco e que devem estar presentes nas boas práticas de qualquer líder empresarial ou político.

8 Lições de liderança de Jorge Mario Bergoglio

1. Dá o exemplo.

"Se uma pessoa é homossexual e procura Deus, quem sou eu para julgá-la?" (29-07-2013)


Bergoglio, sendo jesuíta, ordem cujo voto de pobreza tem um valor acrescido, tem uma visão da Igreja Católica muito focada na austeridade e na sensatez dos gastos, procurando centrar o corpo religioso na ajuda e provisão aos pobres. Várias são as situações que o demonstram e em que deu o exemplo. Começou o seu pontificado pedindo aos seus compatriotas que não viessem às cerimônias da sua posse no Vaticano, mas dessem o dinheiro que iriam gastar aos pobres. Recusou-se a mudar para o apartamento papal e a ele mesmo conduzir um Renault 4 de 1984.

Quando o líder máximo age de acordo com o que pede aos seus colaboradores, torna-se muito difícil que estes não lhe correspondam e sigam as suas orientações, levando a um maior sentimento de equipe e a alcançar mais rapidamente os objetivos traçados para o negócio que sentem também como deles.

2. Conhece o valor de implementar a mudança. 
"A Cúria tem um defeito: está centrada no Vaticano. Vê e ocupa-se dos interesses do Vaticano e esquece o mundo que o rodeia. Não partilho desta visão e farei tudo para a mudar." (01-10-2013)
Pelo Vaticano têm passado vários casos de corrupção, abuso de menores e membros da cúria que detinham mais poder que o Papa. Quem não conhece nomes como o do Cardeal Angelo Sodano, que foi durante dezasseis anos o Cardeal Secretário de Estado, abarcando dois pontificados, o do Papa João Paulo II e o do Papa Bento XVI.

Com a perda de rigor e a excessiva burocracia da Igreja enquanto organização, era fundamental proceder a uma reforma. Como refere Ray Hennesey, “o papa Francisco reuniu um grupo de conselheiros de todo o mundo para proceder à reforma da Cúria. Para tal, retirou poderes ao Secretariado de Estado e dividiu as responsabilidades entre os cardeais. Também recrutou diversos gestores sem qualquer relação com Roma”.

Todos os líderes empresariais sabem quão difícil é implementar a mudança da organização quando iniciam numa organização. Trata-se de um processo sempre difícil mas não impossível, que exige visão, talento e persuasão. Como diz Hennesey, “Se uma organização com mais de 2000 anos o consegue, qualquer outra também o pode fazer.”

3. É claro e direto na sua comunicação.
"A fé não serve para decorar a vida como se fosse um bolo com nata." (18-08-2013)
A comunicação, para ser eficaz e servir os seus princípios, tem de ser clara e direta, para que não restem dúvidas de que aquele a quem se dirige, percebe a mensagem. Com o Papa Francisco, não encontramos uma linguagem formal ou corporativa. Ele diz o que pensa sem rodeios ou contenção. Não quer dizer que seja sempre assim, dependendo das situações, mas quando o assunto remete diretamente às pessoas fragilizadas, como quando fala sobre a homossexualidade, as mulheres ou o papel da Igreja no mundo, Bergoglio diz o que pensa e todos compreendem a sua mensagem, dos mais letrados aos iletrados.

Numa organização é necessário adaptar o discurso aos envolvidos. Se vai se comunicar com todos os níveis da empresa, convém que todos o compreendam e sintam a mensagem como se fosse deles.

4. Toma rapidamente decisões difíceis.

"Mas tivemos vergonha? Tantos escândalos [na Igreja] que não quero mencionar individualmente, mas que todos sabemos quais são... Escândalos que alguns tiveram de pagar caro. E isso está bem! Deve ser assim... a vergonha da Igreja." (16-01-2014)
Como refere Hennesey, “o Banco do Vaticano era conhecido como um banco corrupto. No Verão passado, o Monsenhor Nunzio Scarano foi preso por ter ajudado amigos a lavarem dinheiro através do banco”. O Papa Francisco, ao tomar conhecimento, agiu como é esperado de qualquer grande líder: de imediato trocou o gestor do banco, dispensou alguns colaboradores-chave e criou uma comissão para analisar a organização.

Na reforma da Cúria Romana, o Papa Francisco criou um novo departamento que chamou de Secretariado para a Economia, com o fim de tornar transparentes as finanças da Igreja. O mesmo é esperado dos líderes empresariais que, ao terem conhecimento dos problemas, não os ignoram ou finjem não ter conhecimento, mas que os enfrentem e solucionem rapidamente, transmitindo seriedade, segurança, ética e firmeza a toda a organização.

5. Ouve e aceita diferentes pontos de vista.
"Amemos os que nos são hostis, abençoemos os que dizem mal de nós, saudemos com um sorriso os que provavelmente não o merecem, não aspiremos a fazer-nos valer, mas oponhamos a doçura à tirania, esqueçamos as humilhações sofridas." (23-02-2014)
O Papa Francisco não afasta as pessoas, pelo contrário, acolhe e a todos deseja ouvir, mesmo que não partilhem da sua visão ou fé. Por exemplo, na cerimônia do lava pés (tradição de Páscoa) do ano passado, em vez de seminaristas selecionados, como era habitual, vimo-lo na prisão lavando os pés de presidiários, incluindo mulheres e muçulmanos. É habitual responder pessoalmente a quem lhe escreve e telefonar a quem tem alguma coisa a comunicar, do menor ao maior, mesmo que não sejam católicos. O Papa Francisco está disponível para a sua comunidade e para todos os que queiram falar com ele. Não é elitista nem egocêntrico, mas inclusivo e focado nos outros.

6. Reconhece as suas fragilidades.

“O meu modo autoritário e rápido de tomar decisões levou-me a ter sérios problemas e a ser acusado de ser ultraconservador. Vivi um tempo de grande crise interior quando estava em Córdoba. Foi o meu modo autoritário de tomar decisões que criou problemas.” (19-08-2013)

Quem é Jorge Mario Bergoglio? “Não sei qual possa ser a resposta mais correta... Sou um pecador. Esta é a melhor definição. E não se trata de um modo de falar ou de um gênero literário. Sou um pecador. (…) Sou um indisciplinado nato”. (19-08-2013)

Segundo a religião católica, todos são pecadores e o Papa, sendo homem, não é exceção. Mas admiti-lo desta forma é inédito na boca de um Sumo Pontífice e, no mínimo, uma prova de grande humildade, tendo em conta o cargo que ocupa. Está consciente da sua humanidade e das tentações e fraquezas que sente. Os religiosos não são seres divinos, mas humanos como todos os outros. Também os líderes são humanos e erram. Têm dias ruins e se esquecem das coisas. Assumir as falhas e responsabilidades não os torna inferiores, mas dignos do reconhecimento e da admiração dos seus seguidores.

7. Sabe que não vai conseguir atingir os objetivos sozinho.
“Como arcebispo de Buenos Aires, convocava uma reunião com os seis bispos auxiliares a cada 15 dias e várias vezes ao ano com o Conselho de Presbíteros. Formulavam-se perguntas e abria-se espaço para a discussão. Isto ajudou-me muito a optar pelas melhores decisões. Acredito que a consulta é muito importante.” (19-08-2013)
"O Papa Francisco aprendeu com os seus erros enquanto jovem líder e tem hoje plena consciência de que as conquistas são alcançadas não sozinho mas em grupo; com e através das pessoas". Afirma Fátima.

Nas empresas, cabe ao líder desenvolver os seus colaboradores e integrá-los para o alcance da missão e dos objetivos. Com a equipe, nada o impedirá de alcança-los.

8. Cultiva o humor.
"Não cedamos ao pessimismo." (15-03-2013)
É sabido que o humor é fomentador da boa comunicação ao permitir prender a atenção do interlocutor, fomentar as relações, promover o bom ambiente de trabalho e proporcionar uma maior felicidade a quem a ele recorre. O Papa Francisco cultiva o humor em quase todas as suas intervenções, aligeirando assuntos e mensagens mais pesadas, quebrando o gelo inicial em diversas reuniões, encontros e entrevistas, entre outros.

“É preciso viver as pequenas coisas do dia-a-dia com alegria. (…) Não se prive de ter um bom dia.”

Uma sugestão para você, leitor, é circular esse artigo com os líderes da sua empresa para, na próxima reunião gerencial, tecer comentários. Assim, você estará fazendo desenvolvimento de pessoas.
Fonte: Portal da Liderança -Fátima Rodrigues é gestora do Portal da Liderança.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Economia GIG e o novo mundo do trabalho - Você está preparado?

"O progresso é impossível sem mudanças. Aqueles que não conseguem mudar suas mentes, nada conseguirão mudar." George Bernard Shaw
O mundo está mudando mais rápido do que a nossa capacidade de processar, agir e dar respostas eficazes a problemas cada vez mais complexos. Temos o sentimento de que estamos num estado de "delay"; a um passo atrás dos acontecimentos e do conhecimento. O progresso está acontecendo inexoravelmente e não temos controle sobre ele. O sentimento é o de que a ideia de uma carreira profissional retilínea e bem definida, está ficando distante da realidade. E nada mais verdadeiro do que isso, porque as barreiras tecnológicas, físicas e geográficas estão ruindo aos nossos olhos. Tornamo-nos nômades digitais. Bem vindo à Economia GIG!
Mas o que é "economia GIG"?
Também conhecida como “Freelance Economy“ ou “Economia sob demanda” é o ambiente ou o mercado de trabalho que compreende, de um lado, trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício (freelancers, autônomos) e, de outro, empresas que contratam estes trabalhadores independentes, para serviços pontuais e isentos de regras como número de horas trabalhadas (o chamado “horário comercial”). O termo não é novo mas se tornou tendência mundial na era digital, impulsionado por empresas como Uber, Airbnb e Amazon — esta última, mais ainda depois de criar o programa de entregas Amazon Flex, que paga entre 18 e 25 dólares para que o courierentregue os pacotes.
Essa é a nova denominação do trabalhador do futuro - GIG. O trabalhador "on demand" e essa nova nomenclatura tem sido chamada de “economia de gratificação instantânea”. Trabalha e recebe de acordo com a entrega. Se olharmos a CLT no Brasil, podemos imaginar o que irá acontecer mais á frente, visto que já temos embates sindicais (agressivos) e políticos sobre a legalidade do trabalho on demand do UBER, por exemplo. Então pergunto: - Um brasileiro que oferece a sua residência no Airbnbvai pagar imposto? Como isso vai ocorrer? O governo vai deixar passar essa receita? Deixemos essas perguntas no oxigênio, pois já percebemos resistência a inovações, sabendo que o brasileiro tem aversão a incertezas. Essa aversão será tema de um artigo brevemente.
Esse novo trabalhador GIG, trabalhará por projetos pontuais grandes ou pequenos, locais ou remotos, de curta, média ou longa duração, isoladamente ou em times e administrará seu tempo que estará diretamente ligado a sua capacidade de entrega, de desempenho, de competência e, claro, o desejo ou motivação gerar maiores ganhos financeiros. Na Economia GIG, não veremos qualquer tipo de benefício ou direito trabalhista. Terminado o "objeto do contrato", a relação chega ao fim.
Um estudo feito pelo JPMorgan Chase Institute revela que o número Gig Workersnos Estados Unidos cresceu 10 vezes desde 2012 e que 4% de adultos já trabalhou, ao menos uma vez, nesse mercado. Um outro estudo, da Intuit Research, prevê que até 2020 a Economia GIG compreenderá 40% dos trabalhadores americanos. O texto Uber is just the tip of the iceberg: The gig economy is leveraging the human cloud, recém-publicado na seção de finanças do Yahoo!, diz que a Gig Economy tem tudo a ver com flexibilidade: empregadores podem contratar trabalhadores de acordo com demandas pontuais e em variados mercados e regiões, sem necessidade de ficarem confinados em escritórios e cumprir horário fixo.
Expectativas de empregadores e trabalhadores- Para muitos trabalhadores da nova economia, não será necessariamente uma transição fácil. Para se adaptar, os trabalhadores terão que mudar a maneira como pensam sobre suas carreiras, tanto em termos de direções, quanto de expectativas em relação as organizações. Isso cria um hiato entre as expectativas dos trabalhadores e dos empregadores. No entanto, a palavra chave para reduzir essa lacuna é a flexibilidade. Desde que haja real interesse de se ter um bom relacionamento baseado na transparência. Agora, já sabemos que os problemas ocorrerão. Sem dúvida.
Quem inventou: Segundo o professor de Pós-Graduação e MBA em Marketing Digital da ESPM-SP, Ricardo Murer: "A Gig Economy não pode ser considerada uma invenção e deve ser entendida como uma confluência de fatores econômicos, políticos e sociais. O termo ‘GIG’ aparece pela primeira vez numa peça de Jack Kerouac, de 1952, na qual ele narra um trabalho temporário realizado para ferrovia Southern Pacific, em San Jose, USA. É na década de 1950, também nos Estados Unidos, que a geração ‘beat’ vai aceitar qualquer tipo de trabalho parcial e sem vínculos como parte de uma experiência de vida. Portanto, a ideia não é nova.
Quando foi inventado: Não há uma data específica. Mas a Economia GIG ressurgiu fortemente com as plataformas digitais "sob demanda". O Task Rabbit é de 2008, o Uber de 2009, o Lyft de 2012. Esse último, concorrente do Uber.
Para que serve: De acordo com Marcos Crivelaro, Professor de Finanças da Fiap, serve para que empresas contratem profissionais de todo o mundo para a realização de tarefas de maneira dissociada da hierarquia ou relações trabalhistas. “Os empregadores podem selecionar os melhores profissionais de cada área. As empresas podem economizar recursos em termos de benefícios, espaço de escritório e treinamento e têm possibilidade de contratar especialistas para projetos específicos que poderiam ser demasiado caro para manter na equipe”, diz. Já para os trabalhadores, ainda segundo Crivelaro, a oferta de tarefas vem de qualquer parte do globo, já que ocorre via aplicativos. “O reconhecimento profissional permite um fluxo contínuo de trabalho que pode ser realizado em equipe ou individualmente. O profissional cria a sua própria gestão do tempo (trabalho x descanso x lazer) ficando com mais liberdade para cuidar de sua vida pessoal.
Quem usa: No contexto da era atual digital, Lyft Postmates (empresa americana de logística que possibilita a entrega de variados tipos de produtos) e, entre outros, os já citados Amazon Uber, o exemplo mais forte no Brasil.
Efeitos colaterais: Ausência de direitos e benefícios trabalhistas, em especial quando há quebra de contrato. “A informalidade da relação e a falta de controle em projetos pode também levar a situações de estresse e desgaste profissional”, diz Murer. Uber Lyft são apenas dois exemplos, entre outros, de empresas que sofreram ações judiciais que pleiteavam direitos trabalhistas aos profissionais. (O Uber perdeu uma ação em primeira instância na Califórnia, mas está recorrendo). Um trabalhador da Amazonescreveu a Jeff Bezos, CEO da Amazon, dizendo “Sou um ser humano, não um algoritmo”. Crivelaro aponta, ainda, o enfraquecimento de sindicatos e de entidades de classe. “Há, ainda, o risco da perda da ‘história da empresa.”
Quem é contra: De um lado, profissionais que se sentem lesados pelo tipo de relação de trabalho ou com mudanças posteriores de regras (como a diminuição, pelo Uber, da porcentagem sobre o valor da corrida para o motorista). De outro, governos com políticas trabalhistas mais rígidas, sindicatos e associações de classe (no Brasil, o Sindicado dos Taxistas, por exemplo). Crivelaro diz que as pessoas que são contra, não estão inseridas em práticas de trabalho globalizado e têm dificuldade de autogestão de tempo.

Talentos flexíveis da geração millennial

De acordo com Mike Wachholz, presidente da Pontoon Solutions, há uma dramática transformação em andamento na forma como pensamos sobre o trabalho. "O que estamos vendo é a rápida mudança sem precedentes na velocidade, complexidade e transparência no mercado de trabalho... As empresas e os candidatos a emprego estão buscando flexibilidade máxima no seu modelo de engajamento uns com os outros". No Brasil, temos uma grande barreira que é a desconfiança das pessoas.
A economia GIG tem a sua ênfase na flexibilidade. As empresas podem acessar o tipo de talento de que necessitam nos vários mercados e várias regiões. No Brasil, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que a maioria dos brasileiros quer flexibilidade de horário e de local de trabalho, além de poder reduzir o horário de almoço para sair mais cedo, dividir as férias em mais de dois períodos e trabalhar mais horas no dia em troca de mais folgas. Veja a pesquisa da CNI sobre flexibilidade da força de trabalho aqui.
Um obstáculo que os trabalhadores GIG já estão enfrentando no Brasil é o ambiente regulatório atual, que se traduz numa legislação trabalhista que não espelha a realidade das diferentes e novas modalidades de serviços e que só tendem a aumentar. Além do natural e resistente protecionismo dos sindicatos. A reação agressiva que vimos é um efeito do rápido sucesso que o Uber fez no mundo. Obtendo, assim, uma grande popularidade.

Redução das expectativas

Não será uma transição fácil para as pessoas que estão no mercado de trabalho. Para se adaptar, os trabalhadores terão que mudar a maneira como pensam sobre suas carreiras, tanto em termos de direções a seguir quanto de expectativas pessoais e profissionais em relação as organizações. Isso cria um hiato entre as expectativas dos trabalhadores e dos empregadores. E essa lacuna somente poderá ser preenchida se houver, de ambos os lados, flexibilidade. "Todos queremos mobilidade, todos queremos ter um relacionamento bom e transparente com nosso trabalho e nossos colegas", diz ele.

Nuvem humana, tecnologia, conexões e colaboração

Assim como a computação em nuvem transformou a forma como as empresas armazenam e processam os dados, a economia GIG beneficia as pessoas de uma forma que não era possível uma década atrás. Wachholz chama isso de "nuvem humana".
"Se você olhar para o modelo de noivado hoje como um trabalhador - como um candidato a emprego - há uma variedade de maneiras para eu chegar ao emprego com as empresas. Eu posso ser a tempo parcial ou a tempo inteiro, no local ou fora do local. Um trabalhador contratado, para que eu possa trabalhar em tempo parcial ou em tempo integral capacidade.Eu também pode ser um freelancer ou um trabalhador gig - trabalhando em casa ou remotamente ou de um país diferente.Esta variedade de compromissos é realmente fornecer às empresas com Uma nuvem de serviços para consumir. "
O Relatório “Cisco Connected World Technology Report” que entrevistou 1.400 estudantes universitários e 1.400 jovens profissionais com menos de 30 anos de idade, em 2014, afirma:
"O crescente uso da Internet e dispositivos móveis no local de trabalho está criando um impacto significativo sobre as decisões de trabalho, contratação e equilíbrio entre vida profissional e familiar. A capacidade de usar as mídias sociais, dispositivos móveis e a Internet mais livremente no local de trabalho é forte o suficiente para influenciar a escolha de trabalho, às vezes mais do que o salário.
O Relatório fornece uma visão sobre o futuro do trabalho. De como os profissionais da Geração Y e de outras idades estão se acostumando ao uso de dispositivos móveis e de trabalhar remotamente em qualquer lugar. Principais conclusões incluem:
  • A maioria dos profissionais usa de dois a três dispositivos móveis em suas vidas diárias;
  • A maioria dos entrevistados acredita que seu dispositivo mais importante em 2020 será um smartphone;
  • Cerca de dois terços dos profissionais indicam que irão realizar pesquisas de emprego em todos os países.
O relatório baseia-se em um estudo encomendado pela Cisco para identificar as tecnologias, como a mobilidade e a colaboração, que mudarão nossa forma de trabalhar. Os participantes da pesquisa incluíram:
  • 1388 pessoas da Geração Y - Profissionais entre as idades de 18 e 30;
  • 1524 profissionais da Geração X com idade entre 31 e 50 anos;
  • 827 profissionais de RH em uma variedade de indústrias.
A pesquisa foi realizada em 15 países: Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Japão, México, Holanda, Polônia, Rússia, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.
As empresas de sucesso da nova economia digital estão nos dizendo que precisamos repensar os modelos de negócios através dos quais fizeram essas empresas ganharem muito dinheiro. Na Era do Revolução 4.0 - onde tecnologia se "entrelaça" com o humano e modifica a maneira como produzimos e vendemos produtos e serviços - é fatal para a sobrevivência ficar cego para esse movimento da Economia GIG. Somos competentes para fazer B2B, B2C, B2E. Agora temos que avançar para o H2H (Humano para Humano) ou P2P (Pessoa para Pessoa). Nos tornaremos nômades digitais. Trabalharemos onde tiver demanda, em qualquer lugar, a qualquer hora, e por um dinheiro que nem sempre estará na primeira linha das necessidades humanas. Na primeira linha estará a liberdade. E eu vejo profissionais de todas as gerações embarcados na Economia GIG. Vai comprar a sua passagem? Mas corra! Porque os robôs e os drones estão chegando! Qual será a próxima onda?
TEXTOS CONSULTADOS:
Fonte 1: http://projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-gig-economy/; Fonte 2: https://www.wired.com/2015/09/amazon-wades-complex-world-demand-economy/; Fonte 3: http://finance.yahoo.com/news/uber-is-just-the-tip-of-the-iceberg--the-gig-economy-is-revolutionizing-work-190244919.html; Fonte 4: http://www.cisco.com/c/en/us/solutions/enterprise/connected-world-technology-report/index.html
Todas a fontes acessadas no período de 25/01 a 2/2/2017.
Para saber mais:
1) Leia, na Forbes: "Why Co-Ops And Shared Workspaces Are Exactly What the Gig Economy Needs", sobre as vantagens e oportunidades econômicas da Gig Economy.
2) Leia, no The Wall Street Journal, o texto Contract Workforce Outpaces Growth in Silicon-Valley Style ‘Gig’ Jobs; que afirma que novas pesquisas mostram que a mudança na forma de trabalho afetam o serviço de saúde, a educação e as indústrias tradicionais que oferecem estabilidade ao empregado.
3) Leia, na CNBC, How robots will kill the ‘gig economy’. O texto diz que a Gig Economy, especialmente para entregas e transporte, vai acabar em 20 anos em função da substituição de seres humanos por veículos autônomos e drones.
4) Assista ao TED "The power of informal economy", do repórter investigativo Robert Neuwirth.