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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Economia GIG e o novo mundo do trabalho - Você está preparado?

"O progresso é impossível sem mudanças. Aqueles que não conseguem mudar suas mentes, nada conseguirão mudar." George Bernard Shaw
O mundo está mudando mais rápido do que a nossa capacidade de processar, agir e dar respostas eficazes a problemas cada vez mais complexos. Temos o sentimento de que estamos num estado de "delay"; a um passo atrás dos acontecimentos e do conhecimento. O progresso está acontecendo inexoravelmente e não temos controle sobre ele. O sentimento é o de que a ideia de uma carreira profissional retilínea e bem definida, está ficando distante da realidade. E nada mais verdadeiro do que isso, porque as barreiras tecnológicas, físicas e geográficas estão ruindo aos nossos olhos. Tornamo-nos nômades digitais. Bem vindo à Economia GIG!
Mas o que é "economia GIG"?
Também conhecida como “Freelance Economy“ ou “Economia sob demanda” é o ambiente ou o mercado de trabalho que compreende, de um lado, trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício (freelancers, autônomos) e, de outro, empresas que contratam estes trabalhadores independentes, para serviços pontuais e isentos de regras como número de horas trabalhadas (o chamado “horário comercial”). O termo não é novo mas se tornou tendência mundial na era digital, impulsionado por empresas como Uber, Airbnb e Amazon — esta última, mais ainda depois de criar o programa de entregas Amazon Flex, que paga entre 18 e 25 dólares para que o courierentregue os pacotes.
Essa é a nova denominação do trabalhador do futuro - GIG. O trabalhador "on demand" e essa nova nomenclatura tem sido chamada de “economia de gratificação instantânea”. Trabalha e recebe de acordo com a entrega. Se olharmos a CLT no Brasil, podemos imaginar o que irá acontecer mais á frente, visto que já temos embates sindicais (agressivos) e políticos sobre a legalidade do trabalho on demand do UBER, por exemplo. Então pergunto: - Um brasileiro que oferece a sua residência no Airbnbvai pagar imposto? Como isso vai ocorrer? O governo vai deixar passar essa receita? Deixemos essas perguntas no oxigênio, pois já percebemos resistência a inovações, sabendo que o brasileiro tem aversão a incertezas. Essa aversão será tema de um artigo brevemente.
Esse novo trabalhador GIG, trabalhará por projetos pontuais grandes ou pequenos, locais ou remotos, de curta, média ou longa duração, isoladamente ou em times e administrará seu tempo que estará diretamente ligado a sua capacidade de entrega, de desempenho, de competência e, claro, o desejo ou motivação gerar maiores ganhos financeiros. Na Economia GIG, não veremos qualquer tipo de benefício ou direito trabalhista. Terminado o "objeto do contrato", a relação chega ao fim.
Um estudo feito pelo JPMorgan Chase Institute revela que o número Gig Workersnos Estados Unidos cresceu 10 vezes desde 2012 e que 4% de adultos já trabalhou, ao menos uma vez, nesse mercado. Um outro estudo, da Intuit Research, prevê que até 2020 a Economia GIG compreenderá 40% dos trabalhadores americanos. O texto Uber is just the tip of the iceberg: The gig economy is leveraging the human cloud, recém-publicado na seção de finanças do Yahoo!, diz que a Gig Economy tem tudo a ver com flexibilidade: empregadores podem contratar trabalhadores de acordo com demandas pontuais e em variados mercados e regiões, sem necessidade de ficarem confinados em escritórios e cumprir horário fixo.
Expectativas de empregadores e trabalhadores- Para muitos trabalhadores da nova economia, não será necessariamente uma transição fácil. Para se adaptar, os trabalhadores terão que mudar a maneira como pensam sobre suas carreiras, tanto em termos de direções, quanto de expectativas em relação as organizações. Isso cria um hiato entre as expectativas dos trabalhadores e dos empregadores. No entanto, a palavra chave para reduzir essa lacuna é a flexibilidade. Desde que haja real interesse de se ter um bom relacionamento baseado na transparência. Agora, já sabemos que os problemas ocorrerão. Sem dúvida.
Quem inventou: Segundo o professor de Pós-Graduação e MBA em Marketing Digital da ESPM-SP, Ricardo Murer: "A Gig Economy não pode ser considerada uma invenção e deve ser entendida como uma confluência de fatores econômicos, políticos e sociais. O termo ‘GIG’ aparece pela primeira vez numa peça de Jack Kerouac, de 1952, na qual ele narra um trabalho temporário realizado para ferrovia Southern Pacific, em San Jose, USA. É na década de 1950, também nos Estados Unidos, que a geração ‘beat’ vai aceitar qualquer tipo de trabalho parcial e sem vínculos como parte de uma experiência de vida. Portanto, a ideia não é nova.
Quando foi inventado: Não há uma data específica. Mas a Economia GIG ressurgiu fortemente com as plataformas digitais "sob demanda". O Task Rabbit é de 2008, o Uber de 2009, o Lyft de 2012. Esse último, concorrente do Uber.
Para que serve: De acordo com Marcos Crivelaro, Professor de Finanças da Fiap, serve para que empresas contratem profissionais de todo o mundo para a realização de tarefas de maneira dissociada da hierarquia ou relações trabalhistas. “Os empregadores podem selecionar os melhores profissionais de cada área. As empresas podem economizar recursos em termos de benefícios, espaço de escritório e treinamento e têm possibilidade de contratar especialistas para projetos específicos que poderiam ser demasiado caro para manter na equipe”, diz. Já para os trabalhadores, ainda segundo Crivelaro, a oferta de tarefas vem de qualquer parte do globo, já que ocorre via aplicativos. “O reconhecimento profissional permite um fluxo contínuo de trabalho que pode ser realizado em equipe ou individualmente. O profissional cria a sua própria gestão do tempo (trabalho x descanso x lazer) ficando com mais liberdade para cuidar de sua vida pessoal.
Quem usa: No contexto da era atual digital, Lyft Postmates (empresa americana de logística que possibilita a entrega de variados tipos de produtos) e, entre outros, os já citados Amazon Uber, o exemplo mais forte no Brasil.
Efeitos colaterais: Ausência de direitos e benefícios trabalhistas, em especial quando há quebra de contrato. “A informalidade da relação e a falta de controle em projetos pode também levar a situações de estresse e desgaste profissional”, diz Murer. Uber Lyft são apenas dois exemplos, entre outros, de empresas que sofreram ações judiciais que pleiteavam direitos trabalhistas aos profissionais. (O Uber perdeu uma ação em primeira instância na Califórnia, mas está recorrendo). Um trabalhador da Amazonescreveu a Jeff Bezos, CEO da Amazon, dizendo “Sou um ser humano, não um algoritmo”. Crivelaro aponta, ainda, o enfraquecimento de sindicatos e de entidades de classe. “Há, ainda, o risco da perda da ‘história da empresa.”
Quem é contra: De um lado, profissionais que se sentem lesados pelo tipo de relação de trabalho ou com mudanças posteriores de regras (como a diminuição, pelo Uber, da porcentagem sobre o valor da corrida para o motorista). De outro, governos com políticas trabalhistas mais rígidas, sindicatos e associações de classe (no Brasil, o Sindicado dos Taxistas, por exemplo). Crivelaro diz que as pessoas que são contra, não estão inseridas em práticas de trabalho globalizado e têm dificuldade de autogestão de tempo.

Talentos flexíveis da geração millennial

De acordo com Mike Wachholz, presidente da Pontoon Solutions, há uma dramática transformação em andamento na forma como pensamos sobre o trabalho. "O que estamos vendo é a rápida mudança sem precedentes na velocidade, complexidade e transparência no mercado de trabalho... As empresas e os candidatos a emprego estão buscando flexibilidade máxima no seu modelo de engajamento uns com os outros". No Brasil, temos uma grande barreira que é a desconfiança das pessoas.
A economia GIG tem a sua ênfase na flexibilidade. As empresas podem acessar o tipo de talento de que necessitam nos vários mercados e várias regiões. No Brasil, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que a maioria dos brasileiros quer flexibilidade de horário e de local de trabalho, além de poder reduzir o horário de almoço para sair mais cedo, dividir as férias em mais de dois períodos e trabalhar mais horas no dia em troca de mais folgas. Veja a pesquisa da CNI sobre flexibilidade da força de trabalho aqui.
Um obstáculo que os trabalhadores GIG já estão enfrentando no Brasil é o ambiente regulatório atual, que se traduz numa legislação trabalhista que não espelha a realidade das diferentes e novas modalidades de serviços e que só tendem a aumentar. Além do natural e resistente protecionismo dos sindicatos. A reação agressiva que vimos é um efeito do rápido sucesso que o Uber fez no mundo. Obtendo, assim, uma grande popularidade.

Redução das expectativas

Não será uma transição fácil para as pessoas que estão no mercado de trabalho. Para se adaptar, os trabalhadores terão que mudar a maneira como pensam sobre suas carreiras, tanto em termos de direções a seguir quanto de expectativas pessoais e profissionais em relação as organizações. Isso cria um hiato entre as expectativas dos trabalhadores e dos empregadores. E essa lacuna somente poderá ser preenchida se houver, de ambos os lados, flexibilidade. "Todos queremos mobilidade, todos queremos ter um relacionamento bom e transparente com nosso trabalho e nossos colegas", diz ele.

Nuvem humana, tecnologia, conexões e colaboração

Assim como a computação em nuvem transformou a forma como as empresas armazenam e processam os dados, a economia GIG beneficia as pessoas de uma forma que não era possível uma década atrás. Wachholz chama isso de "nuvem humana".
"Se você olhar para o modelo de noivado hoje como um trabalhador - como um candidato a emprego - há uma variedade de maneiras para eu chegar ao emprego com as empresas. Eu posso ser a tempo parcial ou a tempo inteiro, no local ou fora do local. Um trabalhador contratado, para que eu possa trabalhar em tempo parcial ou em tempo integral capacidade.Eu também pode ser um freelancer ou um trabalhador gig - trabalhando em casa ou remotamente ou de um país diferente.Esta variedade de compromissos é realmente fornecer às empresas com Uma nuvem de serviços para consumir. "
O Relatório “Cisco Connected World Technology Report” que entrevistou 1.400 estudantes universitários e 1.400 jovens profissionais com menos de 30 anos de idade, em 2014, afirma:
"O crescente uso da Internet e dispositivos móveis no local de trabalho está criando um impacto significativo sobre as decisões de trabalho, contratação e equilíbrio entre vida profissional e familiar. A capacidade de usar as mídias sociais, dispositivos móveis e a Internet mais livremente no local de trabalho é forte o suficiente para influenciar a escolha de trabalho, às vezes mais do que o salário.
O Relatório fornece uma visão sobre o futuro do trabalho. De como os profissionais da Geração Y e de outras idades estão se acostumando ao uso de dispositivos móveis e de trabalhar remotamente em qualquer lugar. Principais conclusões incluem:
  • A maioria dos profissionais usa de dois a três dispositivos móveis em suas vidas diárias;
  • A maioria dos entrevistados acredita que seu dispositivo mais importante em 2020 será um smartphone;
  • Cerca de dois terços dos profissionais indicam que irão realizar pesquisas de emprego em todos os países.
O relatório baseia-se em um estudo encomendado pela Cisco para identificar as tecnologias, como a mobilidade e a colaboração, que mudarão nossa forma de trabalhar. Os participantes da pesquisa incluíram:
  • 1388 pessoas da Geração Y - Profissionais entre as idades de 18 e 30;
  • 1524 profissionais da Geração X com idade entre 31 e 50 anos;
  • 827 profissionais de RH em uma variedade de indústrias.
A pesquisa foi realizada em 15 países: Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Japão, México, Holanda, Polônia, Rússia, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.
As empresas de sucesso da nova economia digital estão nos dizendo que precisamos repensar os modelos de negócios através dos quais fizeram essas empresas ganharem muito dinheiro. Na Era do Revolução 4.0 - onde tecnologia se "entrelaça" com o humano e modifica a maneira como produzimos e vendemos produtos e serviços - é fatal para a sobrevivência ficar cego para esse movimento da Economia GIG. Somos competentes para fazer B2B, B2C, B2E. Agora temos que avançar para o H2H (Humano para Humano) ou P2P (Pessoa para Pessoa). Nos tornaremos nômades digitais. Trabalharemos onde tiver demanda, em qualquer lugar, a qualquer hora, e por um dinheiro que nem sempre estará na primeira linha das necessidades humanas. Na primeira linha estará a liberdade. E eu vejo profissionais de todas as gerações embarcados na Economia GIG. Vai comprar a sua passagem? Mas corra! Porque os robôs e os drones estão chegando! Qual será a próxima onda?
TEXTOS CONSULTADOS:
Fonte 1: http://projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-gig-economy/; Fonte 2: https://www.wired.com/2015/09/amazon-wades-complex-world-demand-economy/; Fonte 3: http://finance.yahoo.com/news/uber-is-just-the-tip-of-the-iceberg--the-gig-economy-is-revolutionizing-work-190244919.html; Fonte 4: http://www.cisco.com/c/en/us/solutions/enterprise/connected-world-technology-report/index.html
Todas a fontes acessadas no período de 25/01 a 2/2/2017.
Para saber mais:
1) Leia, na Forbes: "Why Co-Ops And Shared Workspaces Are Exactly What the Gig Economy Needs", sobre as vantagens e oportunidades econômicas da Gig Economy.
2) Leia, no The Wall Street Journal, o texto Contract Workforce Outpaces Growth in Silicon-Valley Style ‘Gig’ Jobs; que afirma que novas pesquisas mostram que a mudança na forma de trabalho afetam o serviço de saúde, a educação e as indústrias tradicionais que oferecem estabilidade ao empregado.
3) Leia, na CNBC, How robots will kill the ‘gig economy’. O texto diz que a Gig Economy, especialmente para entregas e transporte, vai acabar em 20 anos em função da substituição de seres humanos por veículos autônomos e drones.
4) Assista ao TED "The power of informal economy", do repórter investigativo Robert Neuwirth.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O MUNDO RUMO A NOVA IDADE DAS TREVAS - Fernando Alcoforado*



TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS DO ARTIGO PUBLICADO EM INGLÊS NO WEBSITE WRITER BEAT SOB O TÍTULO "THE WORLD TOWARD NEW DARK AGES"
O MUNDO RUMO A NOVA IDADE DAS TREVAS
Fernando Alcoforado*
A "idade das trevas" é um período da história que enfatiza as deteriorações cultural e econômica que ocorreram na Europa entre os séculos V e IX consequentes do declínio do Império Romano. A expressão Idade das Trevas referida à Idade Média foi muito utilizada no passado. Alguns historiadores usaram esta expressão, pois tinham como referências a cultura greco-romana e o Renascimento. De acordo com estes historiadores, a Idade Média foi uma época com pouco desenvolvimento cultural, pois a cultura foi controlada pela Igreja Católica. Afirmavam também que praticamente não ocorreu desenvolvimento científico e técnico, pois a Igreja impedia estes avanços ao colocar a fé como único caminho a seguir. O rótulo "idade das trevas" é empregado no tradicional embate entre luz versus escuridão para contrastar a "escuridão" deste período com os períodos anteriores e posteriores de "luz".
Geralmente, a Idade das Trevas se refere ao período da história que teve início com a queda do Império Romano do Ocidente. O termo "trevas" foi usado para caracterizar práticas retrógradas que prevaleciam durante este período da Idade Média. A Idade das Trevas aconteceu quando o último imperador do Ocidente, Rômulo Augusto, foi deposto por Odoacro, um bárbaro. Esse evento aconteceu em 476 DC. A Idade das Trevas foi também os anos das conquistas muçulmanas. Juntamente com outros nômades e guerreiros com cavalos e camelos, os muçulmanos atravessaram o império em decadência, causando estragos e semeando heresia intelectual e social em seu caminho. As conquistas muçulmanas prevaleceram até a época das Cruzadas que ocorreram de 1096 a 1270. Este antigo conflito entre o Cristianismo e o Islamismo permanece até hoje.
A Idade das Trevas foi uma época conturbada. Invasores errantes a cavalo atacavam os campos. Surgiram conflitos religiosos. Os muçulmanos conquistaram terras. A escassez de boa literatura e realizações culturais e práticas bárbaras prevaleceram. O período da Idade das Trevas foi visto também como uma época de fé. Homens e mulheres buscavam a Deus. Alguns através dos mais sérios rituais da Igreja Católica, outros em formas protestantes de adoração. Os intelectuais, por sua vez, viam qualquer religião, por si mesma, como um tipo de "escuridão". Estes pensadores afirmavam que as crenças religiosas alienavam as pessoas criando uma falsa realidade. Estavam dominados pelas emoções, não pela razão. A religião era vista como contrária à racionalidade e à razão, e essa mentalidade foi que deu início ao Iluminismo – um afastamento da “escuridão”. A ciência e a razão ganharam ascendência, progredindo de forma constante durante e após a Reforma Protestante e o Iluminismo.
O fim do Império Romano e a "quebra" da economia escravista são explicados por alguns historiadores como resultados do assalto dos povos bárbaros que teve como consequência a destruição do sistema econômico escravista. Outros historiadores têm procurado ver na própria crise interna do império, particularmente a partir do século IV, as sucessivas revoltas antiescravistas e camponesas que assolaram os últimos anos do Império Romano como causas da decadência romana e sua fragilidade em face dos povos bárbaros. Isto é, o império estava condenado antes do assalto dos povos bárbaros, sendo que a presença das tribos germânicas teve o papel de tornar complexa uma crise em pleno curso. Outros historiadores identificam o fim do Império Romano no expansionismo militar e sua crise, com a consequente dificuldade de refazer os contingentes de escravos, assim como o colapso das estruturas fiscais e financeiras do império, que tiveram um papel central na crise romana.
O Império Romano era, em verdade, varrido por uma grande vaga de revolta social, normalmente enfrentada com incrível rigor pelas autoridades romanas. Alguns historiadores viam nas revoltas antiescravistas e camponesas manifestações de banditismo ou simples "tumultos" em um mundo assaltado pela barbárie não levando em conta a profunda miséria da grande maioria das populações romanas escravizadas. A ordem social romana estava seriamente abalada desde o reinado de Cômodo (180 DC), quando surge um profundo movimento insurrecional na Gália. Este movimento, que se estende até o século V, foi consequência da pauperização crescente das massas trabalhadoras do campo.
No seu conjunto, todo o Império Romano empobrecia. As cidades destruídas pelas primeiras invasões mal são reconstruídas, as minas são abandonadas (sinal máximo do empobrecimento romano) e os jogos circenses são interrompidos. Junto ao povo a situação é bem mais dramática porque nos campos, a miséria lança sobre as grandes rotas bandos de vagabundos e desocupados que, em busca de trabalho, dinheiro ou comida, se transformavam em bandidos. Daí era um passo para, em bandos mais ou menos armados, surgirem como real ameaça à ordem estabelecida. Não havia grupos organizados politicamente e agrupados em torno de uma ideologia qualquer.
Na era contemporânea, o equivalente ao Império Romano é representado pelo imperialismo exercido pelos Estados Unidos e os bárbaros são os povos dos países capitalistas periféricos e semiperiféricos objetos há séculos da espoliação imperialista exercida pelas grandes potências ao longo da história. Da mesma forma que o fim do Império Romano se explica pelo expansionismo militar e com o colapso de suas estruturas fiscais e financeiras o mesmo está acontecendo com os Estados Unidos que, enfraquecido econômica e financeiramente, já não reúne mais as condições de expandir seu poder militar em todo o mundo. Da mesma forma que o Império Romano estava condenado antes do assalto dos povos bárbaros, os Estados Unidos apresentam também as mesmas características.
Da mesma forma que as sucessivas revoltas antiescravistas e camponesas que assolaram os últimos anos do Império Romano foram, também, causas da decadência romana e de sua fragilidade em face dos povos bárbaros, os governos dos Estados Unidos e de seus aliados enfrentam dificuldades para manterem subjugadas as populações no interior de seus países, especialmente, no momento atual de crise profunda do sistema capitalista mundial responsável pela queda na atividade econômica e a elevação dos níveis de desemprego que atinge profundamente o proletariado e a classe média. A manutenção da ordem pública está se tornando cada vez mais difícil nesses países. A era contemporânea de declínio do capitalismo aponta no sentido de que estamos caminhando a passos largos para uma era tão obscura quanto foi a Idade das Trevas na Idade Média.
A Humanidade mergulha em nova Idade das Trevas porque estamos vivenciando, também, crescente desintegração social em todos os países do mundo, o incremento dos conflitos internacionais e, até mesmo, a ameaça de sobrevivência da vida no planeta resultante da mudança climática catastrófica em curso. A gigantesca crise do sistema capitalista mundial e o declínio dos Estados Unidos como potência hegemônica econômica e militar se associam à luta dos bárbaros modernos representados pelos povos dos países capitalistas periféricos que buscam sua emancipação da espoliação exercida pelas grandes potências capitalistas lideradas pelos Estados Unidos. A invasão dos bárbaros modernos ocorre no momento com a presença na Europa Ocidental e nos Estados Unidos de grupos terroristas oriundos, sobretudo dos países islâmicos.
Tudo indica que já estamos às vésperas de uma transição entre o sistema capitalista em declínio e o advento de um novo sistema econômico cuja passagem será tão traumática quanto à do escravismo para o feudalismo na Idade Média haja vista a dificuldade ou impossibilidade de conciliar os interesses das potências imperialistas lideradas pelos Estados Unidos e os povos espoliados do mundo inteiro. Esta dificuldade ou impossibilidade resulta do fato de o sistema capitalista dominante se caracterizar pela onipresença de sua ideologia mercantil que ocupa ao mesmo tempo todo o espaço e todos os setores da vida. Esta ideologia não diz nada mais do que: produza, venda, consuma, acumule! Ela reduziu todas as relações humanas em relações mercantis e considera nosso planeta como uma simples mercadoria. O dever que nos impõe é o trabalho servil. O único direito que ele reconhece é o direito à propriedade privada. O único deus que ele adora é o dinheiro.
A onipresença da ideologia mercantil com o culto ao dinheiro faz com que a humanidade fique sujeita à ação do sistema mercantil totalitário. O homem, a sociedade e o conjunto de nosso planeta estão ao serviço desta ideologia. O sistema mercantil totalitário realizou o que nenhum totalitarismo conseguiu fazer antes: unificar o mundo à sua imagem. Hoje já não existe exílio possível. Até atingir o colapso, o sistema capitalista mundial produzirá mortes e destruição em uma escala sem precedentes na história da humanidade em todos os quadrantes da Terra. A barbárie caracterizada pelas revoltas e revoluções sociais em cada país e pelos conflitos internacionais será a principal marca do sistema capitalista mundial até o final de sua trajetória. À medida que a opressão capitalista se estende por todos os setores da vida, a possibilidade de revolta adquire aspecto de uma guerra civil em escala nacional e global que já se manifesta na atualidade. A destruição da sociedade mercantil totalitária que impera hoje é inevitável porque o sistema capitalista já está condenado à morte. Estamos apenas no início de motins, revoltas e revoluções sociais que renascem em toda parte do planeta e anunciam o fim da nova Idade das Trevas e a emergência de um novo Renascimento.

História do autor:
*Fernando Alcoforado, 76, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015) e As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016). Possui blog na Internet (http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.br.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

TED Simon Sinek - Como grandes líderes inspiram ação - Legendado



Apenas assista! Faça anotações. Pause, se for o caso.

Best TED Talks 2015 - Desenhando seu futuro - Você no controle de sua vida



Para elaborar seu plano e alcançar seus sonhos.

TED apresenta Amy Cuddy: Sua linguagem corporal molda quem você é

Amy Cuddy ensina que sua linguagem corporal molda você. Existe uma
frase, em especial no mundo das startups, que diz "fake until you make
it", que seria algo como “finja até que você consiga fazer”. A proposta de
Amy é um pouco diferente. Através desse TED, ela mostra como nosso
comportamento, gestos, postura, etc são capazes de nos influenciar a nós mesmos
tanto para o bem quanto para o mal. E, por fim, ela mostra como nós podemos e devemos "fingir ser até
nos tornarmos/transformarmos naquilo que dizemos ser"

TED Retrospectiva: O preço da vergonha — Monica Lewinsky



Uma aula de compaixão e coragem. Uma aula que supera o aprendizado acadêmico e coloca a alma humana no centro do TED. Com louvor! 

Um tema absolutamente atual. Convido os amigos a assistirem num momento que possam dar atenção integral a Mônica Lewinsky.