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sábado, 20 de junho de 2009

Você tem medo de quê?

Pesquisa inédita mostra quais são os principais medos das empresas brasileiras na hora de investir em mudanças.
Por Época NEGÓCIOS

"Errar é humano, desde que você não erre sozinho.” Parece piada, mas não é. Essa frase surgiu de conversas com 50 executivos brasileiros e ilustra um dos seis medos identificados pela CO.R, uma empresa de pesquisa e estratégia de marcas, durante um longo trabalho feito para a agência Talent, de publicidade. A intenção da agência era identificar os principais temores que atrapalham as empresas na hora de inovar. O levantamento concentrou-se em executivos de marketing, mas identificou medos que extrapolam a área. Os entrevistados foram selecionados entre as 200 maiores empresas do país e tiveram seus nomes preservados por uma razão óbvia – ninguém gosta de falar abertamente sobre medo. Eis os maiores receios:

Errar sozinho - Um dos executivos disse que na sua empresa criaram-se “correntes de cumplicidade” e “reuniões para marcar reuniões” cujo objetivo era espalhar o risco e adiar decisões. Outro afirmou que para inovar é preciso ter apoio para “errar ou acertar”. “Sem suporte, você fica com medo de errar e ficar sozinho.” Nessas empresas, a autopreservação tornou-se mais importante que o sucesso.
Repetir o fracasso - Não é fácil para uma empresa superar o trauma de uma iniciativa que deu errado. Esse problema apareceu em vários depoimentos. Um executivo afirma que o fracasso de um projeto, que comprometeu o resultado do grupo, acabou por gerar “uma grande aversão ao risco”. Segundo ele, o episódio provocou estagnação e queda de produtividade. “Passamos a nos contentar com metas baixas”, conta ele.
Estragar o time - Pode parecer um contrassenso, mas para muitos executivos administrar a liderança é mais difícil do que atingi-la. Um dos casos mais exemplares reunidos na pesquisa foi o de uma grande companhia que era extremamente ousada até atingir 70% de participação no mercado. “Antes, todas as novas ideias eram bem-vindas”, contou um diretor. “Mas esse número acovardou a diretoria. A marca começou a cair porque só existia coragem de repetir o que tinha dado certo e a inovação ficou para outras empresas.” Na sua opinião, o lema “não se mexe em time que está ganhando” não funciona para mercados competitivos.
Ouvir outro não - O receio de desagradar aos acionistas ou ao presidente foi apontado como outro entrave a novidades. Alguns entrevistados sugeriram que isso é mais intenso em empresas de capital aberto, por causa da pressão por retorno rápido. “A maneira mais confortável de fazer um acionista feliz é garantir o dinheiro hoje”, afirmou um participante. As conversas com os gestores sugerem que o maior problema é a empresa criar uma cultura na qual todos sempre saibam o que fazer. “Fiquei 14 meses numa empresa na qual pude fazer muito pouco porque todo mundo, o tempo todo, já sabia o que tinha de ser feito e (...) como conseguir a aprovação e a satisfação do conselho.” Para esse executivo, o medo do “não” erradicou a capacidade de mudar.
Futuro - O temor sobre o futuro de uma companhia pode paralisá-la na hora em que ela mais precisa de comprometimento e ação. A apreensão pode ser decorrência de transformações tecnológicas ou da ameaça de uma aquisição. Em mais de um caso, a pesquisa descobriu gestores que viveram essa experiência. “Durante quase dois anos vivemos a expectativa do momento de uma fusão (...), as pessoas falavam demais e trabalhavam de menos. Novas estratégias não tinham espaço e quem sofreu foi a marca, cuja participação de mercado caiu.”
Demissão - O medo de perder prestígio, poder e, no limite, o emprego é um dos maiores inibidores para arriscar e inovar, segundo a pesquisa. Esse temor manifestou-se de maneira difusa mas consistente e, no fundo, está na base dos outros receios. A maioria dos entrevistados vê como um dos seus desafios cotidianos manter sua posição. O problema é que mudança pressupõe riscos. Se a empresa não tem um ambiente que tolera uma certa dose de fracasso, as pessoas não ousam – e vivem com medo.
Depois disso tudo, você se sente melhor porque não está sozinho? O que pensa a respeito? Coragem para fazer mudanças! Elas são primordiais. São naturais. Resistir é remar contra o fluxo da vida.

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