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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Profissionalizar ou não profissionalizar, eis a questão!

Principalmente nas pequenas e médias empresas, cujo conjunto representa 99,7% do PIB, o tema da profissionalização surge como um fantasma rondando a mente do empresário. 
Pressionado por um mercado de alta concorrência e de margens apertadíssimas, parece-me que o único caminho possível para uma PME se sustentar, ou mesmo crescer e se desenvolver é a busca de um modelo de gestão que lhe dê estabilidade organizacional e a torne lucrativa por um bom tempo. Parece um sonho? Teoria da administração? Não! O cemitério corporativo está cheio de empresas que não sobreviveram à falta de um método ou de boas práticas de gestão. Exemplos: Rede Zacharias, Mappin, Mesbla, Casa Jose Silva, BRA, G Aronson, Arapuã são alguns casos bem conhecidos. Todas elas quebraram porque seus donos deixaram de vender produtos para ganhar dinheiro na ciranda inflacionária da década de 90. Resultado do olho gordo... Terminaram atolados em dívidas e quebraram. Sem ciranda, mas não será essa a realidade de muitas PME? Gráficos de desempenho financeiro que mais parecem uma montanha russa, alternando o azul e o vermelho, ano a ano, sendo socorridas por bancos "sorridentes" ao emprestar e "implacáveis" ao cobrar e solicitar a falência. 

Sem ciranda financeira e o fisco apertando cada vez mais o pescoço do empresário, parece-me que o caminho mais viável é a profissionalização. Tarefa difícil porque significa uma série de atitudes que não fazem parte, ou pouco fazem, da vida do empresário, que são: planejamento, organização, liderança, disciplina, controle e execução primorosa. Tudo na medida certa. 

Os consultores profetizam aos empresários: Façam mudanças para que suas empresas sobrevivam! 
Diz o empresário: - Ok! por onde começo? 
Diz o consultor: - Planejamento estratégico! 
Então começa a maratona. Um mês revira tudo e chega-se no BSC. 
- BSC? O que é isso? Diz o empresário. 
Replica o consultor: Indicadores! Você precisa de indicadores para medir o desempenho real de sua empresa.  
Empresário: Ânnn! Ok. E aí? 
Consultor: - Mas precisamos rever a estrutura também. Você tem pessoas da família trabalhando na empresa? Possuem aptidão? Ou estão aqui porque é da família e se não for aqui, eles não têm aonde trabalhar? 
Empresário: Bem! (meio encabulado). É tem gente sim. É que fulano é casado com... irmão de... primo do... O clima entra em baixo astral, revelando toda a impotência do empresário, gestor e membro da família. Revela-se, então, o ponto fraco da situação. Multiplique isso por todos que fazem parte do contexto familiar e empresarial.

É uma situação complexa e que exige muita coragem para fazer o que tem que ser feito. Eu sempre afirmo em meus trabalhos de consultoria que se a empresa está acima dos interesses pessoais, a probabilidade dos processos de transformação organizacional darem certo é bastante alta. A despeito de todos os riscos envolvidos e da forte influência de nossa cultura brasileira. Jeitinho, desconfiança, relações pessoais imperativas e informalidade caracterizam o perfil das PME's brasileiras e familiares. Não há mudança sem dor. Não é um processo fácil.

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