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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalho e a Era da Mediocridade

Por Dermeval Franco, 01/05/2014
Mais um feriado e agora para comemorar o dia do trabalho. E nesse dia ninguém trabalha, claro! Porque é feriado e é preciso comemorar o dia sem trabalho. Mas quem não tem trabalho, comemora o quê? Nada! Vai tirar o dia para descansar do desemprego. Vai aumentar a angústia e a preocupação de menos um dia para procurar trabalho. Mas é quinta, então emenda com sexta. Legal! Oba! Quatro dias de descanso. (Lembrando que tivemos mais cinco dias emendados da semana santa, que foi logo ali, ontem). Tantos feriados! Mas será que isso pode explicar a nossa baixa produtividade perante americanos e europeus? Sim, sem dúvida interfere na produtividade; dentre outros fatores culturais, sociais e antropológicos.
(Segundo a revista EXAME em 2012 a produtividade de um trabalhador americano equivale a de cinco brasileiros ou 20%). Segundo a mesma revista, a nossa produtividade não cresceu desde 1970. Lamentável!)
Vamos voltar ao tema do feriado. De fato, temos muitos feriados no Brasil. Assim como temos 365 igrejas na Bahia, se fossemos comemorar todo dia o santo padroeiro de cada igreja baiana, teríamos 365 dias de feriados. Mas ainda bem que não comemoramos o dia da igreja do Santo a, b ou c. Imagina se isso ocorresse no pais inteiro para uma população que é em sua maioria, católica. São 123 milhões de católicos segundo o censo do IBGE de 2010 e representa 64,6% da população do país. Seguido por pessoas sem religião (14,5 MM) e outras religiões da corrente evangélica.
(Fonte: Revista ESPM edição 91 de jan/fev 2014).
Como a política está presente em nossas vidas, e somos – nesse governo atual - mais pacientes e ovelhas do que agentes, visto que temos uma democracia de mão única e ditatorial. A democracia que temos no Brasil é menos ruim do que a ditadura. E nesse aspecto, e no dia do trabalhador, já temos subsídios para concluir que determinado partido político da situação instalou em nosso país a "Era da Mediocridade". A olhos vistos, os três poderes têm dado exemplos claros de suas incompetências na condução dos problemas brasileiros. (Salvemos alguns espasmos morais do judiciário, a exemplo do mensalão). Isso tem gerado consequências terríveis na percepção e nas atitudes dos brasileiros, pois os maus exemplos vêm de todos os lados.
Temos uma elite que morre de medo do povo. Temos os políticos que fazem do carreirismo, do fisiologismo e infidelidade partidária seu ideal de vida, razão pela qual, por pensar somente em si e pouco nos representantes e na pátria, não auxiliam no desenvolvimento da nação, nem a solução dos grandes problemas. A serviço desse políticos, temos os burocratas: servidores públicos de carreira, muitas vezes, vivem sem maior interesse pela sociedade, e pensam apenas em sua aposentadoria para gozar, com folga, o repouso futuro. Esse burocratas integram o poder, se identificam e terminam confundindo seus próprios interesses com os da nação. Como são servidores públicos, muitas vezes passa a exercer o poder burocrático como se coubesse à nação servi-los, e não ao contrário. O povo é que acaba ficando à disposição desse detentores do poder, por meio de tributos, favores, ou exageradas exigências burocráticas para justificar seu cargo, suas horas trabalhadas, suas ações em muitos casos desnecessárias, inibindo a produtividade, a transparência e a eficiência dos serviços públicos. Essas posturas ou condutas terminam por influenciar o meio privado de alguma forma, impactando em sua produtividade também.
Temos uma outra classe de políticos que são os governantes. Qualificados ou não, com histórias curriculares ou não, elegem-se a cargos do executivo e muitas vezes despreparados para a gestão pública profissional. Consideram-se autossuficientes e cercam-se de “assessores” - não mais preparados que tais governantes -, para gerir a máquina pública. Esses assessores são colocados na posição (de uma secretaria, por exemplo) pelo relacionamento de confiança e de amizade com o governante. O critério de aptidão e competência técnica gerencial fica em último lugar. Percebi isso ao travar contato com o meio governamental, certa vez. Provavelmente, o leitor poderá imaginar as consequência de termos pessoas sem a aptidão ou as qualificações adequadas para ocupar posições técnicas gerenciais relevantes no âmbito governamental. Tanto Governantes quanto assessores, em muitos casos ficam nas mãos, literalmente, dos burocratas. O ciclo vicioso permanece e se perpetua a ineficiência na máquina pública do fazer mais com mais (custo Brasil) e a mediocridade moral.
Caso real no Fórum: O juiz pergunta para o seu assistente: “- Essa causa é de alguém conhecido?” O assistente responde: “- Não! É de uma pessoa normal”. Bem, se você é uma pessoa normal e não tem parentes influentes ou relacionamento com desembargadores, juízes e políticos; vai esperar na fila e da boa vontade dos detentores do poder. Mas você pensa: - Não pode ser! Eles são servidores públicos! Sim eu sei: Mas somos normais, esqueceu? Nós é que servimos a eles. Eles são os detentores do poder de avançar ou recuar, nos deixar felizes ou infelizes, de libertar ou de prender... Nós estamos no tempo deles! Percebe a inversão?
Parece-me que temos um cenário perfeito para que o cidadão brasileiro sinta-se no direito de fazer o que bem entender, a partir do seu nível de compreensão da realidade. Ele, cidadão questiona: - Se os exemplos que vêm dos governantes, políticos e burocratas não são legais, porque eu devo ser legal? Essa é a pergunta que vem da rua. Esses exemplos malfadados ao longo da história, sempre foram excepcionalmente danosos á formação da cultura, do caráter e da personalidade do povo brasileiro. Temos visto com certa frequência e de forma massiva através das mídias, exemplos fortes que vêm das ruas e do povo: justiça com as próprias mãos, violência com violência, discriminação, racismo, desrespeito às leis civis e trabalhistas, desrespeito aos padrões sociais, às leis morais, atos latentes e manifestos de corrupção, de sonegação, de bullying, de assédio moral, de assédio sexual, de estupro e de subtração de dignidades.
A esse momentâneo desequilíbrio político, econômico e social que se aprofunda numa crise de valores e de identidade ideológica que permeia a sociedade atual, posso concluir que nos dez últimos anos instalou-se em nosso país um período marginal da história, que chamo de Era da Mediocridade. Uma era de muitos discursos ufanistas e de pouca ação. De muitos planos e de baixos resultados. De mais gastos do que investimentos. De tratar as pessoas como infantes, sem teto e sem comida. De um custo Brasil que cresce, de uma inflação e desemprego que crescem, de um déficit comercial que “cresce negativamente” (segundo o paradigma dos economistas), da perda de reputação e valor de uma das maiores empresas de petróleo do mundo. Enfim, vamos ficar por aqui no desfile de mazelas e vamos às contra medidas que entram em ação brevemente: Copa do Mundo e eleições. Uma, pão e circo. A outra, mais uma chance de nós, brasileiros, nos indignarmos diante da realidade.
Para aqueles que possam atribuir a esse texto uma visão pessimista da realidade, afirmo que não. Considero-a uma visão crítica, realista e não desprovida do otimismo consciente de que apesar do cenário pouco favorável, acredito que estamos em movimento evolutivo e tais “ajustes” são necessários e naturais, diante do grau de maturidade dos seres humanos.
Estou convencido de que somente participaremos de uma democracia real no momento em que pudermos controlar os governos e os governantes se reconhecerem como nossos servidores. Afinal “Sua Excelência” é o cidadão. Somos todos nós!
Coragem meus amigos de estrada da vida. Ousem fazer o bem sem medir a quem. Façamos a nossa parte. Melhor! Cada vez melhor! Por um mundo melhor!
Feliz dia do trabalho de hoje, de amanhã e de sempre!

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