A Pesquisa trouxe informações que, de certa forma, já esperávamos. Restrições a investimentos, corte de despesas, cenário de incerteza; tudo isso bem conhecido de todos. Outras informações surpreenderam pela consciência da realidade, conhecimento e "paixão em acertar" demonstrados pelos respondentes. Frases literais revelam o que diferencia os RH’s “normais” daqueles que buscam deixar a sua marca por onde passam; ou melhor, imprimir seu nome na cultura da empresa:
" Antes as prioridades eram "firulas", eventos. Hoje focamos em indicadores, acompanhamento do time de gestores e qualidade de vida no trabalho”.
“O mindset é: cada centavo conta“.
“Nosso comercial tem trabalhado tanto ou mais em comparação com 2014/2015”.
“Abriremos duas novas lojas, pois a empresa deseja estar presente em todos os shopping centers da cidade”.
  “Atuamos como parceiro estratégico de fato, com cadeira fixa nas reuniões e voz importante na tomada de decisões da Diretoria e junto às lideranças”.
Essas frases revelam a maior participação do RH no jogo dos negócios. Mesmo diante de um cenário adverso, o RH está presente oferecendo valor pessoal e profissional.
Acredito que todos que responderam a essa pesquisa têm algo em comum: o brilho nos olhos. Conheço todos os respondentes. Todos eles através de trabalhos de consultoria, cursos, palestras, coaching, mentoria etc. Tenho orgulho disso e sei que seus posicionamentos foram honestos e construtivos. Esse valor é real. Por isso, temos qualidade nas informações. Vamos às perguntas e respostas:
Pergunta 1. Esse cenário de recessão tem impactado as vendas e os investimentos em Pessoas?
Para 61% das empresas o impacto nas vendas foi fraco e para 23% foi muito forte. E para 15% não houve impacto. É claro que existem setores da economia que estão mais sujeitos à recessão econômica, enquanto outros podem até se beneficiar. Assim, para 76% das empresas pesquisadas, as vendas continuaram acontecendo dentro do esperado, sendo apontada por algumas empresas a dificuldade de recebimento e gestão do fluxo de caixa. Isso provocou algumas medidas saneadoras como por exemplo: campanhas internas de economia de recursos, adequações do quadro de pessoal com demissões cirúrgicas, revisão de orçamentos (que já vinham sendo feitos desde 2015), realinhamento de despesas e custos operacionais, suspensão temporária de investimentos, ações de treinamento interno com facilitadores internos e aproveitamento de pessoal em outras funções e áreas para evitar a perda de bons profissionais.
Para 80% dos respondentes, o impacto no investimento em pessoas foi fraco ou mesmo não houve. Isto revela a maturidade empresarial no sentido de preservar os talentos, assim como muitas das empresas tenham feito ajustes no quadro de pessoal ao longo de 2015 e no início do ano para ajustes. Como falamos anteriormente, o aproveitamento de pessoas capazes de treinar outras – multiplicadores internos – foi uma medida comum e econômica na maioria das empresas pesquisadas. Se há uma prioridade em treinamento, são aqueles de caráter legal ou voltados para a área comercial como, por exemplo, Técnicas de Vendas. Como afirma um respondente:
Nossos maiores desafios têm sido lidar com as emoções das pessoas em meio às especulações de desemprego, atender as metas do negócio e garantir que o cliente receba um bom atendimento e fique satisfeito”.
As empresas se mobilizaram em torno da ideia de “comportamento de maior austeridade e controle”. Portanto, o foco das empresas nesse momento está concentrado nas ações que impactam diretamente nas vendas e no caixa. Na própria sustentabilidade do negócio. “Nossa empresa tem os pés no chão e não pretende crescer este ano, mas passar por esse tsunami”. Uma decisão cautelosa.
Pergunta 2. Como o RH tem se comportado?
Fato relevante: Os RHs estão mais próximos da diretoria. Certamente, pelo momento da economia e maturidade dos profissionais da área que passam a atuar com visão sistêmica. E os gestores também que, se não perdidos (vai uma pontinha de ironia bem humorada aqui), mas conscientes de que precisam de ajuda para alcançar seus resultados. Essa proximidade foi revelada na pesquisa com maior frequência. 
Liderança. Fator crítico de sucesso apresentado pelos respondentes. O RH desenvolve um forte trabalho de conscientização do papel profissional e de incentivo para que os ocupantes de cargos de chefia assumam assertivamente a função de líder e gestores de pessoas. Assim, são estimulados a criar ambientes e clima saudáveis entre os membros da equipe para engajá-los. Capacitação das lideranças também faz parte da agenda do RH para a maioria das empresas pesquisadas. Trabalho feito internamente pela equipe de RH ou por facilitadores externos.
Endomarketing é uma ferramenta essencial nesse momento. Aparece em terceiro lugar no ranking de ações para lidar com o cenário atual. Por endomarketing, entendemos o “tratamento mercadológico” que damos à cultura da empresa tendo como clientes os colaboradores. A empresa passa a ser um “produto” a ser vendido para os colaboradores. Uma pergunta básica: - Qual aProposta de Valor que desejamos oferecer aos nossos colaboradores para que se sintam bem em trabalhar na empresa, tenham orgulho, sentimentos de pertencimento, amem a empresa e sejam produtivos ao máximo? Uma boa pergunta para apresentar numa reunião gerencial e provocar os líderes a pensar e sugerir ideias apropriadas. A comunicação interna também é alvo de ações das empresas. Numa das empresas, criou-se um canal de ouvidoria internaatravés de acesso online e urnas para coletar sugestões, ideias e reclamações dos colaboradores. Também são realizadas reuniões com colaboradores e diretoria, visando estreitar as relações humanas, quebrar barreiras e evitar boatos e fofocas.
Outras ações de RH intensificadas nesse período em reação ao cenário de restrições:
  1.  Intensificar a comunicação interna.
  2. Trabalhar de forma alinhada com as estratégias da empresa para alcançar certa sustentabilidade diante do contexto atual de crise.
  3. Reter os talentos através da manutenção de clima saudável no ambiente de trabalho.
  4. Realizar campanhas de incentivo à qualidade de vida e bem estar das pessoas.
  5. Aperfeiçoar as práticas de gestão á vista com indicadores chaves de desempenho.
  6. Melhorar o ambiente de trabalho com massoterapia, aulas de zumba, ginástica laboral, happy hour, formação de grupos para passeios no Beach Park com a família (facilidade na compra de ingressos), patrocínio em maratonas e sala de descanso com biblioteca disponível.
  7. Realinhar as práticas de participação nos resultados, passando de participação igualitária para contribuição ao negócio correspondendo ao desempenho departamental e individual. Algo bem coerente com as modernas práticas de remuneração por desempenho e competências.
  8. Revisar contratos de fornecedores ou desenvolvimento de novos fornecedores.
  9. Realizar treinamentos à distância em substituição ao presencial visam maior abrangência e redução nos custos de viagens.
 Pergunta 3. Quais as três prioridades de sua empresa para esse ano?
A primeira prioridade é reduzir custos. Naturalmente essa medida ocorre em todos os setores pela incerteza que o momento econômico se apresenta. Entendo que esse momento está sendo um novo aprendizado para as empresas. Há algum tempo já ouvimos o mantra “fazer mais com menos”. Hoje, temos uma ampliação desse mantra: “fazer muito mais com muito menos”. Ainda bem que nós, brasileiros, tempo jogo de cintura para se adaptar às situações de "pegar o limão azedo e fazer uma boa limonada". E isso, o RH sabe fazer com competência. Mas lembremos do risco de emagrecimento forçado que pode provocar anorexia organizacional. (Passe o mouse na palavra Anorexia organizacional para ler o artigo no LinkedIn).
A segunda prioridade é construir e treinar as equipes. Seja da área comercial ou áreas técnicas críticas e de impacto nos custos da empresa e na satisfação dos clientes.   
Superado o momento de adequação à situação atual, a terceira prioridade passa a ser de crescer de forma sustentável. Quer dizer que apesar desse sufoco pelo qual todos nós passamos, a empresa deseja estabelecer as bases para garantir a sustentabilidade para o crescimento e não para a sobrevivência. Nesse momento, parece adequado repensar o modelo de negócio e buscar oceanos azuis de oportunidade. Este é um ótimo exercício de criatividade para as lideranças das empresas, que passa a ser foco de trabalho do RH como outra prioridade: otreinamento e o desenvolvimento das lideranças. Juntamente com essa prioridade aparece outra não menos importante: o aumento das vendas. Se não há vendas, para tudo! Não é assim?
Finalmente, temos um conjunto de outras prioridades, com menor frequência, em nossa pesquisa. São elas (a título de registro para conhecimento dos pesquisados):
  1.  Manter, no mínimo, o mesmo resultado do ano anterior.
  2. Reduzir o quadro de pessoal e dar foco nas competências e eficiência operacional.
  3. Implantar Programa 5s.
  4. Aperfeiçoar a qualidade dos serviços.
  5. Reduzir perda líquida.
  6. Lançar novos produtos no mercado.
  7. Obter ganhos com a área de Cobrança.
  8. Mudar para o modelo de Gestão de Pessoas por Competências.
  9. Desenvolver e acompanhar nova estrutura comercial de mercado.
  10. Reduzir volume x controle de custos nas operações.
  11. Melhorar a gestão comercial, demitindo os piores clientes e focando nos bons.
  12. Diversificar o negócio de forma mais horizontal, dentro da nossa especialidade.
Temos assim, um bom check list para comparar com as suas práticas.  Para essa pesquisa não há uma conclusão. Não tem um ponto. Tem uma vírgula, Sim, porque a história continua e sei que todos os colegas estão, AGORA, dando continuidade aos seus projetos. Inclusive você,
Obs: Foram entrevistadas 23 empresas - pequenas, médias e grandes do Estado do Ceará - e os entrevistados ocupam cargos de liderança à frente do RH.