As empresas têm uma gravidade interna que as puxam constantemente em direção à solução de problemas e, conseqüentemente, à repetição dos erros e rotinas monótonas. É preciso lutar contra essa força 24 horas por dia.

Esta é uma das lições mais simples e básicas para os gestores: descobrir para onde a energia e o potencial das pessoas quer fluir e trabalhar com essa força. Às vezes insistimos em corrigir as pessoas que estão erradas, ao invés de fortalecer ou "empoderar" aquelas que estão alinhadas com o que precisamos fazer. Parece-me perda de tempo. De um tempo que não temos, porque somos pressionados para obter resultados rápidos.
 Não sei se você já passou por isso em sua vida. Isto aconteceu comigo algumas vezes mas já superei esse "trauma". Durante aulas ou palestras, há alguns anos atrás, eu tinha um hábito (que hoje considero errado) quando estava diante de um grupo de pessoas. Dentre 30 pessoas atentas sempre havia uma de braços cruzados e de cabeça baixa.  - Em quem eu concentrava a atenção? Advinha! Na pessoa que estava desatenta. Tive que aprender a ter consciência do problema, ou seja, deixar a pessoa ficar lá e trabalhar com aquelas que estavam realmente interessadas. É uma das lições mais simples e básicas de todo tipo de liderança em qualquer ambiente: identificar para onde a energia está tentando fluir e como trabalhar com ela.
 O falecido maestro húngaro britânico Sir Georg Solti em cinco anos de trabalho duro, chacoalhou a Orquestra Sinfônica de Chicago e tirou-a de sua confortável mediocridade para atingir padrões internacionais. O que ele fez? “Analisei os 128 membros da orquestra, achei os 20 que mais se destacavam e buscavam a excelência e trabalhei com estes últimos. Claro! Tive de demitir um segundo oboé, mas para a maioria dos outros, de repente, os padrões, a visão haviam mudado”. Veja, ao final desse texto, 2 minutos de vídeo com o maestro.
Uma grande equipe é formada por pessoas interessadas, dispostas, automotivadas e que querem fazer algo acontecer. Os gestores perdem muito tempo tentando corrigir o desempenho dos funcionários quando estes já demonstraram, até mesmo por mais de uma vez, a sua incapacidade de mudar, o desinteresse e a falta de prazer pelo que faz.  
Não temos tempo para concentrar-se em pessoas que não queiram aprender, desenvolver-se, superar desafios e que consideram o trabalho um fardo.  A seleção natural e contínua faz parte do trabalho do líder, sob o risco dele tornar-se uma vítima da mediocridade.
Estamos tão ocupados resolvendo os problemas do dia a dia, que esquecemos do significado do trabalho em nossas vidas. Tendemos a pensar que numa organização tradicional as pessoas estão produzindo resultados porque a diretoria quer resultados. Compare-a a essência de uma organização voluntária: as pessoas produzem resultados porque elas se identificam e querem os resultados. Se as pessoas gostam realmente de seu trabalho, elas vão inovar, correr riscos, confiar umas nas outras, porque todas estão autenticamente dedicadas ao que estão fazendo.
É necessário deixar a energia fluir na direção do crescimento e do desenvolvimento para que a organização entre num círculo virtuoso de prosperidade e captura de oportunidades; e não de problemas. As empresas têm uma gravidade, um peso que puxa constantemente em direção à solução de problemas e, conseqüentemente, à mediocridade. É preciso lutar contra essa força 24 horas por dia.
Naquelas organizações que apresentam um desempenho acima da média, os funcionários têm prazer no que fazem e usam ao máximo a sua criatividade. Não estou dizendo que é preciso gostar de tudo o que se faz, o que é algo bem diferente. Todo mundo tem de conviver com uma série de coisas rotineiras. Os grandes esportistas precisam exercitar horas a fio todos os dias. E ninguém poderá dizer que eles amam fazer isso. Eles têm de fazê-lo. Não é divertido, mas eles gostam. O mesmo vale para pessoas nos negócios e que apreciam seu trabalho. A rotina delas é: isso tem de ser feito e eu gosto de fazê-lo porque gosto de meu trabalho. E quando o trabalho é divertido, a energia fluir naturalmente.
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